segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Depoimento de Fernando Valdez



Aceitei candidatar-me ao Conselho Geral (CG) por considerar que este órgão nacional do Sindicato dos Jornalistas não tem tido o dinamismo necessário desde há alguns anos e por pensar que o CG pode dar um contributo importante para a vida do Sindicato e dos jornalistas portugueses.
Segundo os Estatutos do Sindicato, o Conselho não só deve ser ouvido pela Direcção do SJ e dar parecer sobre as questões de maior relevância para o Sindicato e para os jornalistas, como pode ter a iniciativa de apresentar propostas e sugestões aos restantes órgãos sociais.
O Conselho Geral pode convidar antigos dirigentes sindicais que possam dar um contributo para os temas em debate a participarem nos seus trabalhos, sem direito a voto, o que constitui uma forma de enriquecimento do debate sobre questões centrais da vida sindical.
Num momento em que se multiplicam os despedimentos de profissionais, em que os contratos precários são o dia-a-dia dos jovens jornalistas e de alguns não tão jovens, em que as empresas abusam de falsos estágios curriculares para ilegalmente disporem de mão-de-obra gratuita em vez de contratarem os profissionais necessários, há um largo espaço para a necessária reflexão do Conselho Geral, para as suas propostas e contributos para o Sindicato e a melhoria das condições de trabalho dos jornalistas.
A maioria das empresas desrespeita claramente o disposto na contratação colectiva, os salários e outras condições de trabalho degradam-se, os horários têm hora de início mas raramente de fim, muitas empresas não pagam trabalho extraordinário, mesmo em dia feriado ou de folga.

Por isso, considerei minha obrigação não virar a cara a este desafio e dizer presente.

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Depoimento de Anabela Fino


Em meados de Janeiro fui surpreendida por uma notícia muito curiosa: pela primeira vez, em 136 anos da história do jornal, os jornalistas de “Los Angeles Times” votaram para se sindicalizarem no NewsGuild-Communications Workers of America. Motivo? A degradação das condições laborais e o despedimento de trabalhadores. Soa familiar, não soa?
Pois é justamente porque entendo, como sempre entendi, que não devemos esperar pela degradação (ainda maior) das condições de trabalho para reagir, com Unidade e Participação, em defesa do direito ao trabalho e do trabalho com direitos, dos jornalistas e do jornalismo, que me candidato a membro do Conselho Geral pela Lista A.
Aos que todos os dias nos pretendem fazer crer que os sindicatos estão em vias de extinção e que não nos resta outra alternativa a não ser tentar (sobre)viver na lei da selva, respondo com o exemplo do LA Times e com a profunda convicção de que só não ganha quem desiste de lutar.
E esta luta, que a todos nos convoca, não se compadece com operações mediáticas, com o faz de conta de que quem explora e quem é explorado estão do mesmo lado da barricada, com o fatalismo de «não há nada a fazer» que tão bem serve quem vê os trabalhadores – que é o que os jornalistas são – como descartáveis, ou com as práticas dos que fingem ignorar que o «“descompromisso” é o “compromisso” de quem serve a outros amos, que não àqueles para os quais o jornalismo existe», como bem escreveu um camarada jornalista já desaparecido.

A lista A propõe-se ir à luta com Unidade e Participação. Eu alinho.

Os candidatos da lista A - Unidade e Participação


Conselho Deontológico

Efectivos
1.       Alfredo Maia – “Jornal de Notícias”, sócio n.º 1171
2.      Carlos Camponez – Freelance, sócio n.º 1591
3.      Martins Morim – Freelance, sócio n.º 1529
4.      Paulo Paixão – “Expresso”, sócio n.º 1909
5.      Ana Carrilho – Rádio Renascença, sócia n.º 1695

Suplentes
6.      José David Lopes – Reformado, sócio n.º 199
7.      Maria Júlia Fernandes – Reformada, sócia n.º 380
8.      Nicolau Fernandez – TSF/Madeira, sócio n.º 3061


Conselho Geral

Efectivos
1.       Fernando Cascais – Freelance, sócio n.º 268
2.      Fernando Valdez – Freelance, sócio n.º 458
3.      Anabela Fino – “Avante!”, sócia n.º 679
4.      Fernando Correia – “Vértice”, sócio n.º 113
5.      Maria José Garrido – TVI - 2662
6.      Mónica Santos – “O Jogo”, sócia n.º 4158
7.      José António Cerejo – Freelance, sócio n.º 944
8.      Natal Vaz – Reformada, sócia n.º 396
9.      Carlos Veiga Pereira – Reformado, sócio n.º 20
10.   Carlos Lopes Pereira – “Diário do Alentejo”, sócio n.º 4289
11.    Mário Galego – RDP, sócio n.º 2823
12.   Ribeiro Cardoso – Reformado, sócio n.º 258
13.   Ilídia Pinto – “Dinheiro Vivo”, sócia n.º 2716
14.   João Fernando Ramos – RTP, sócio n.º 3718
15.   Ana Goulart – “Seara Nova”, sócia n.º 3647
16.   Vítor Rodrigues – Lusa, sócio n.º2612
17.   Luís Miguel Loureiro – RTP, sócio n.º 6806
18.   Hugo Janeiro – “Avante!”, sócio n.º 6409
19.   Rosária Rato – Lusa, sócia n.º 1863
20.  Valdemar Cruz – “Expresso”, sócio n.º 625
21.   Susana Oliveira – Lusa, sócia n.º 4928

Suplentes
22.  Mónica Peixoto – Rádio SBSR, sócia 3936
23.  Salomé Pinto – Porto Canal, sócia n.º 6954
24.  Nuno Miguel Maia – “Jornal de Notícias”, sócio n.º 5479
25. Carlos Machado – “O Jogo”, sócio n.º 2075

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Depoimento de José David Lopes


Não estou no activo há uns bons anos, desde que deixei o DN, a minha “casa” de sempre, mas mantive pelo jornalismo e pelo labor de levar aos leitores a mais correcta e fiável informação a mesma paixão de sempre. Muito mudou desde que iniciei a profissão. Não havia um Código Deontológico formal – o primeiro avanço nesse sentido surgiu no CCT de 1973, que criou as Comissões de Redacção e estabeleceu ser vedado aos jornalistas qualquer actividade relacionada com Publicidade –, mas havia regras não escritas que muitos de nós cumpríamos e tentávamos que se cumprissem: o rigor, o respeito pela verdade, o contraditório, entre outras normas que, em 1976, fariam parte do primeiro Código Deontológico dos Jornalistas, aprovado em assembleia geral do SJ.
Aplicam-se todas essas normas hoje em dia? Convenhamos que não. E não por culpa da maioria da classe. Vivemos numa realidade muito diferente. Ao lado do sensacionalismo e das várias “agendas” que passaram a dominar muita informação, assiste-se a uma cada vez maior permeabilidade entre a “notícia” veiculada pelas redes sociais e o seu imediatismo e o trabalho jornalístico nos OCS. E nunca a pressão sobre os jornalistas foi tão grande, favorecida pelo esvaziamento das Redacções de tantos profissionais com mais experiência, apanhados em sucessivas ondas de despedimentos, e acompanhada pela precariedade da profissão.

Cumprir e fazer cumprir o Código Deontológico torna-se, assim, tarefa primordial, mais por via da pedagogia que pela “acusação”, em que o jornalista, sobretudo aquele com menos experiência, se torne bode expiatório do que lhe é imposto. É uma tarefa de todos. E uma reflexão de todos.
Fui jornalista no DN durante 34 anos. Além do gosto pela reportagem, que sempre me acompanhou, fui editor de várias secções, desde a antiga Informação Geral e Agenda e Planeamento à Ciência, passando pelo lançamento da primeira edição “online” do jornal.
Fiz parte da primeira Comissão de Redacção do jornal e, posteriormente, de vários Conselhos de Redacção e de duas listas na Direcção do SJ, a primeira das quais eleita antes do 25 de Abril. Além disso, e ao longo dos anos, fui delegado sindical na Redacção em diversas ocasiões.

Um apelo à participação


Todas as eleições são importantes, e até cruciais em certos momentos da vida das organizações.
É o caso da escolha dos associados que vão integrar os órgãos sociais do Sindicato dos Jornalistas nos próximos três anos, em particular o Conselho Deontológico e o Conselho Geral.

Ao apresentar-se perante os jornalistas pedindo-lhe a confiança do seu voto, os candidatos da lista A - Unidade e Participação não oferecem apenas as suas experiências e a sua vontade de intervir e participar de forma mais activa na vida do Sindicato.

No Conselho Deontológico, assumiremos o compromisso de defender e valorizar a deontologia como marca de água do exercício livre e responsável da profissão, em diálogo com os jornalistas e com os conselhos de redacção, mas tendo sempre em conta as condições de trabalho.

Tal como aprovado no IV Congresso dos Jornalistas Portugueses, assumiremos iniciativas de valorização do Conselho Deontológico, especialmente nos locais de trabalho, de reforço das competências dos conselhos de redacção - a primeira linha de defesa da deontologia - e realização de reuniões regulares com os CR.
No Conselho Geral, temos plena consciência de que muito faltou fazer, ao longo de todos estes longos anos, mas é necessário assegurar a efectiva representatividade da classe neste órgão (por isso é eleito por método de Hondt) e valorizar a importância deste órgão como o motor da participação de todos.
No âmbito das competências do CG, lá estaremos a defender os direitos dos jornalistas, a contribuir para combater a precariedade e os baixos salários, a fazer propostas para a negociação colectiva, a ajudar a tornar o Sindicato mais forte.
É por isso que é importante a participação de todos, votando desde já, utilizando os boletins de voto por correspondência, sobretudo quem não tem condições para deslocar-se à sede ou às delegações do Sindicato no dia 21.


Importante: Tendo em conta os atrasos graves nos CTT, é aconselhável o envio dos votos quanto antes!


Vale a pena confiar. 
No dia 21 de Fevereiro – ou através dos votos por correspondência – opta pela Lista A – Unidade e Participação

Depoimento de Fernando Correia


(em jeito de apoio e estímulo à lista A, e de apelo a que votem nela)
1. A situação laboral e profissional dos jornalistas tem vindo a agravar-se cada vez mais. Alguns números: 69% ganham entre 501 e 1500 euros líquidos mensais. 33,4% não têm contrato fixo (precários). 65% dos contratos são até 40 horas semanais, mas a maioria trabalha mais tempo. 3,9% são remunerados pelas horas extraordinárias,10,2% são compensados em tempo de descanso pelo trabalho extra, 63,4% não tem qualquer compensação. 25,8%  prestam serviço para mais de um órgão dentro do mesmo grupo empresarial, sendo que 66,8% não recebe remuneração extra por esse trabalho. 63,6% estão insatisfeitos com os salários, mas 2% estão extremamente satisfeitos. 36,6 % referem o medo de perder o emprego. 77,9%  dizem-se insatisfeitos com a profissão, 11% satisfeitos, mas 1,9% extremamente satisfeitos. 64,2% dos jornalistas já pensaram pelo menos uma vez abandonar a profissão. Um último dado: 25,2% diz ter participação sindical, enquanto 56,5% nunca foi sindicalizado.
(Elementos parcelares de um inquérito realizado no quadro de uma investigação promovida por uma equipa do CIES-IUL (ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa). A amostra foi de quase 1500 jornalistas (validados). Em 9 de janeiro de 2017 existiam 6114 jornalistas com carteira profissional ou equiparados). 
  2. O jornalismo e os jornalistas portugueses atravessa uma fase de profundas transformações, nomeadamente de natureza tecnológica, mas também no seu enquadramento e constrangimentos empresariais e laborais.  com tudo isso o que implica. É necessário: impedir que a pretexto da mudança se percam regras e princípios éticos e profissionais indissociáveis do jornalismo rigoroso e livre, assim como da responsabilidade social do jornalista (desde logo no sector publico, mas também no privado); combater a perversidade profissional que resulta da interiorização como valores jornalísticos  daquilo que são apenas valores comerciais, como a concepção do “bom jornalismo” como  aquele que “vende bem”; reafirmar valores como a solidariedade e a camaradagem, com a ideia clara de que a unidade na acção é imprescindível; reforçar a disponibilidade para a participação em estruturas como os conselhos de redacção, os delegados sindicais, as comissões de trabalhadores, sendo certo que sem organização e sem as organizações, a começar pelo sindicato, nada se consegue; valorizar a ligação às pessoas, apelar e promover a sua intervenção e participação, considerando que os problemas da informação, indissociáves da formação, dizem respeito a toda a sociedade; sublinhar que a fragilização do jornalismo e dos jornalistas significa, inapelavelmente, uma muito grave e perigosa fragilização da democracia.
            3. No exercício do jornalismo, a perspectiva humanista e a consciência cívica nascem e alimentam-se do confronto com as realidades da vida, um confronto naturalmente imposto pela própria natureza da profissão. Daqui resulta, ou deveria resultar, um perfil pessoal, mas também de grupo, estruturado em duas dimensões: a  profissional e a cívica. O jornalista só o é por inteiro se for um cidadão/jornalista, ou se preferirem, um jornalista/cidadão. Assim contribuindo para criar as condições que irão permitindo a transformação no jornalismo e na informação, e simultaneamente também em tudo o que os envolve e condiciona.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Depoimento de Fernando Cascais


Porque me candidato? 
1. Porque ponho o jornalismo (e os jornalistas) primeiro.
2. Porque sou contra o fake journalism.

3. Porque a comunicação transborda nas redes sociais, inundadas de informação amadora, digital influencers, publicidade oculta, propaganda às claras, interesses privados e suas negociatas. O jornalismo é toda uma outra coisa. 
Em suma, o meu objectivo é PARTICIPAR , em UNIDADE com todos aqueles que recusam ser meros espectadores ou consumidores, na defesa de uma sociedade COM jornalismo (independente) e COM jornalistas (profissionais).

Depoimento de José António Cerejo


O Alfredo Maia candidata-se nestas eleições à presidência do Conselho Deontológico do nosso sindicato. Ao longo de muitos anos, ele foi a cara de uma organização de classe que a esmagadora maioria dos jornalistas ignorou e continua a ignorar, mas que foi e continuará a ser insubstituível na defesa da nossa profissão, da liberdade de expressão e da democracia. Uma organização que muitos consideram obsoleta, mas que todos vêem como o último recurso quando a arbitrariedade e o desprezo pelos seus direitos lhes bate à porta.

Durante vários mandatos como presidente do Sindicato dos Jornalistas, o Maia foi a dedicação em pessoa, o combatente empenhado que se bateu, contra tudo e contra todos, pelo jornalismo e pelos jornalistas, mesmo por aqueles que já não se julgam trabalhadores, mas apenas colaboradores sabe-se lá de quê e de quem.
Costumo dizer que embora reformado, ainda não arrumei as botas. É por isso, e também porque fui membro do Conselho Deontológico que em 1993 elaborou e fez aprovar o código de conduta que ainda hoje nos rege, que aqui estou a manifestar o meu apoio à lista liderada pelo Alfredo Maia. Hoje, mais do que nunca, a reflexão e a acção em prol da nossa credibilidade e da rejeição das práticas que nos envergonham é um exigência não só dos jornalistas, mas de toda a sociedade.

Toca a votar!


Já chegaram os materiais informativos com os boletins para o exercício do voto por correspondência - uma forma rápida e confortável de participar no processo eleitoral, que encerra com a votação presencial no dia 21 de Fevereiro.

É tempo de voltarmos a fazer o apelo: para o Conselho Deontológico (boletim azul) e para o Conselho Geral (boletim rosa), vota na lista A - Unidade e Participação. 
Feita a opção de voto, basta dobrar cada um dos boletins em quatro, com a face impressa voltada para dentro; introduzi-los no envelope mais pequeno (em branco); fechar este envelope, inscrever no exterior a identificação de sócio (nome e número) e assinar. 
Depois, é só introduzir esse envelope no sobrescrito "RSF", já devidamente endereçado, e colocá-lo no Correio.
De caminho, passa a palavra: para "Defender os Jornalistas e o Jornalismo", é preciso dar força à lista A - Unidade e Participação.

Nota: Devido a um lapso a que somos alheios, foi expedido para alguns associados um impresso com uma lista de candidatos sem a inserção da letra A. Está lá o lema "Unidade e Participação", tal como nos boletins de voto. É a nossa - podes votar com confiança!

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Depoimento de Ana Carrilho


Vivemos tempos de grandes provações para o Jornalismo e os jornalistas. A concorrência entre diferentes meios de comunicação facilmente dá lugar ao sensacionalismo sem limites, pondo em causa, com frequência, os direitos dos cidadãos. A começar pelos mais básicos, como o direito ao bom nome e à honra, à intimidade, à dor, à liberdade.
Não pode valer tudo! Não pode valer tudo para conseguir (alegadas) notícias que por vezes não passam de mexericos bons para vender jornais, subir audiências ou dar mais clicks. Não é isso o que queremos para o Jornalismo em Portugal.
Os jornalistas têm um Código Deontológico, um instrumento de auto-regulação que dita o cumprimento de regras básicas de ética e deontologia. Deve ser a garantia de que os cidadãos usufruem do direito constitucional à Informação – que deve ser sempre e, em primeiro lugar, informação Verdadeira. Não queremos Fake News!
Defendemos os princípios do rigor, verdade, lealdade, como bases sólidas da credibilidade. Princípios que devem ser ponto de honra para os jornalistas e para as empresas de comunicação social a que pertencem.
Queremos e defendemos um Jornalismo livre em Portugal.
Somos a Lista A, que concorre ao Conselho Deontológico do Sindicato de Jornalistas, nas eleições agendadas para 21 de Fevereiro.
“Unidade e Participação” é o nosso lema. Espero que seja a vossa escolha.
Lista A – a contribuir para um Conselho Deontológico plural, que defenda os jornalistas e o Jornalismo.

Valorizar o Conselho Deontológico


O Conselho Deontológico “é um órgão de auto-regulação dos jornalistas portugueses”. É o mais importante, é reconhecido pelos jornalistas, incluindo os não sindicalizados, e mesmo pelos tribunais, ao mesmo tempo que goza de prestígio junto da sociedade.
A existência de um conselho deontológico no seio do Sindicato dos Jornalistas é uma garantia – entre pares e perante a sociedade – de que a organização de classe dos jornalistas reivindica direitos porque assume antes de mais o ónus dos deveres.

É urgente devolver ao CD um papel central na discussão das práticas profissionais dos jornalistas, indissociáveis da análise das condições de produção dos media e do compromisso público dos jornalistas e dos media para com uma informação de qualidade.
O CD não pode continuar a agir como se desconhecesse tantas práticas criticáveis, assim como não pode continuar alheio a transformações tecnológicas, organizativas e de orientação e de conteúdo que ameaçam a credibilidade e deontologia da profissão. 
É preciso dizer bem alto que não vale tudo por conta das audiências.

A lista A - Unidade e Participação para o Conselho Deontológico propõe-se:

1. Assumir o dever de tomar iniciativa, não se limitando a aguardar queixas ou pedidos de parecer.
2. Organizar jornadas de reflexão junto das redacções, em particular com os conselhos de redacção
3. Promover a reflexão sobre práticas e riscos para a integridade deontológica e estimular a capacidade de atenção ética, designadamente através da realização de estudos, da elaboração de recomendações e da organização de colóquios e debates. 
4. Proporcionar, participar e estimular iniciativas de reflexão ponderada sobre a ética e a deontologia profissionais, de futuros profissionais, junto de centros, escolas e estabelecimentos de ensino superior.
5. Apoiar e participar em iniciativas de literacia para os media destinadas a criar públicos exigentes e críticos relativamente à dimensão ética e deontológica da qualidade da informação.
6. Participar em parcerias sociais destinadas a promover o respeito ético e deontológico da informação e dos media.
7. Promover um debate na classe dos jornalistas acerca das questões éticas e deontológicas envolvidas no tratamento da informação no jornalismo multimédia em linha.
8. Assegurar a disponibilização de um corpus documental que valorize especialmente a doutrina produzida pelo CD ao longo de décadas, com a sistematização de comunicados, pareceres e recomendações.

Depoimento de Paulo Paixão


Vivemos e trabalhamos num tempo em que, infelizmente, “desvios deontológicos” se vão tornando mais persistentes (e por vezes graves).
Há riscos evidentes de isso passar a ser considerado normal.
O novo mundo digital não trouxe unicamente vantagens.

Ele acarreta também uma dinâmica que veio rasgar muitas páginas dos velhos manuais de boas práticas jornalísticas.
Importa urgentemente atalhar este estado de coisas.
Por um lado, esse é um trabalho que começa nos conselhos de redação (e para o qual modestamente já contribuo).
Por outro lado, o propósito só ficará completo com um novo labor do Conselho Deontológico, mais interveniente (desafio no qual agora me envolvo).
Se tenho a consciência de que agitar estas águas, nesta altura, é ir contra a corrente (de algum corporativismo e de certas lógicas empresariais, entre outras ondas)?
- Tenho. Mas navegar é preciso.

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Depoimento de João Fernando Ramos




O jornalismo está hoje colocado no meio de mais um sério desafio, com a multiplicidade de plataformas a criar novas linhas de "informação" que nos obrigam a um trabalho mais atento, ainda com mais rigor. 
A nossa função mediadora e clarificadora é nesta altura fundamental. 
Ser jornalista significa assumir um compromisso com a verdade e estes são tempos quem que somos diariamente postos à prova pelas maquinas de propaganda que inundam as redes sociais e as plataformas online.

Frequentemente as notícias do dia seguem um comportamento mimético, quase de manada, onde nada se questiona. 
Não podemos adiar mais um debate sério sobre a forma como estamos a exercer a nossa profissão. 
É também em nome dos valores que me levaram um dia a abraçar esta paixão que volto a estar entre os que querem continuar a defender um jornalismo plural, isento, rigoroso e que contribua para uma opinião pública verdadeiramente esclarecida.

Feliz do Sindicato que tem o seu conselho deontológico


Tenho, para mim, que o jornalista que pugna pelo rigor e pela seriedade está sempre a agir no respeito pelas boas práticas deontológicas e pela ética, bem como a contribuir também para a boa formação cívica de quem o lê. Se assim for, o jornalismo transforma-se em prática estruturante de uma sociedade democrática desenvolvida. Como, aliás, deveria ser.
Infelizmente, a actual realidade não é isso que nos revela. Pelo contrário. Por vezes, fica-se, até, com a sensação de que vendas, tiragens, audiências e share aumentam na razão directa das más práticas, que importa combater. Urge, portanto, que qualquer órgão de regulação seja mais interventivo, criticando e condenando, mas também formando.

Felizmente, o nosso sindicato tem o seu próprio órgão – o Conselho Deontológico – também respeitado por jornalistas que nem são seus associados. Digo, felizmente, por me ter apercebido, ao longo dos anos que estive nas Relações Internacionais, de que não é assim em todo o mundo e constatado muitas vezes que o SJ foi e é elogiado precisamente por saber defender os seus associados no plano estritamente laboral, mas sem nunca perder de vista que só pode haver bom jornalismo quando há respeito pela ética e a deontologia da profissão.
Ora, é precisamente esta linha orientadora que me faz apresentar de novo como candidato nas eleições para os órgãos sociais do SJ, integrando desta vez a lista A para o Conselho Deontológico. E digo, sem tibieza, feliz do sindicato de jornalistas que tem o seu próprio conselho deontológico!

Martins Morim

O boletim de voto - como usar


Estão a chegar pelo correio os boletins para o exercício do voto por correspondência. É bom recordar que há duas listas para o Conselho Deontológico e para o Conselho Geral, órgãos cuja eleição se faz por método de Hondt.

Quer dizer que não assegurará sozinha esses órgãos a lista que for mais votada. Cada uma das listas elegerá tanto mais membros quanto maior for o número de votos que obtiver. 
Foi assim no mandato cessante: em cinco membros efectivos do Conselho Deontológico, três foram eleitos por uma lista e dois por outra; em 21 eleitos do Conselho Geral, 13 foram propostos por uma lista e oito por outra.
Ao propor-se contribuir para alargar a voz da pluralidade da classe nos órgãos representativos, a lista A – “Unidade e Participação”, espera alcançar o maior número de eleitos no CD e no CG. Porque queremos “Defender os Jornalistas e o Jornalismo”, com mais direitos, mais responsabilidade e qualidade.
Na hora da escolha, dá mais voz a este projecto de sindicalismo – vota A!

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Depoimento de Ana Goulart


É um lugar comum dizer que "quem luta nem sempre ganha, mas quem não luta perde sempre". Mas é um lugar comum em que me revejo. No caso concreto, porque apenas o sindicalismo de classe faz sentido. O resto é apenas foguetório. Bonito na imagem (dependendo do gosto de cada um), inconsequente na defesa da classe profissional a que pertenço.
O Jornalismo e os Jornalistas vivem dias duros. Da precariedade ao desemprego, tudo o atinge e os atinge. Mas os lamentos não servem para nada. A luta é o único caminho. Uns são capazes disso. Sem cedências. É entre estes que me encontro. Na lista A, onde um conjunto de camaradas acredita no sindicalismo de classe, na ética e deontologia da profissão, na defesa do Jornalismo e dos Jornalistas.

E na Unidade de uma classe que tem de Participar na defesa dos seus direitos e no cumprimento dos seus deveres éticos e profissionais.

Depoimento de Alfredo Maia


Ao longo do meu exercício de funções sindicais – primeiro como vice-presidente (1993-2000), depois como presidente da Direcção do SJ (2000-2014), muitos me perguntaram por que razões deve o Sindicato dos Jornalistas ter um Conselho Deontológico. 

A existência de um órgão de auto-regulação dos jornalistas, que só se tornou possível e aceite pela classe em condições de liberdade, após a Revolução do 25 de Abril, é uma condição essencial de credibilidade da profissão. 
Mas também é a fonte primordial da energia para as tarefas de defesa e promoção dos direitos e interesses dos jornalistas, assim como do direito do público a uma informação de qualidade.
A subordinação dos jornalistas a um quadro muito claro de deveres – consagrados, desde logo, no seu Código Deontológico, sufragado em referendo aberto a todos os titulares de carteira profissional – integra o indeclinável contrato de lealdade com o público. 
Tal contrato implica um compromisso com o rigor, a rejeição do sensacionalismo, a lisura de métodos, a lealdade para com fontes e pessoas objecto do seu trabalho, a responsabilidade pessoal pelos actos profissionais e pelas suas consequências, o escrúpulo ético no respeito pelos direitos dos outros.
Sendo os jornalistas (não só mas também) trabalhadores dependentes, a subordinação ao seu Código Deontológico implica igualmente o dever de não se submeterem a práticas que ponham em causa a credibilidade do seu trabalho.
Costumamos dizer que o compromisso com deveres (e nisso assenta a deontologia) é o estribo da reivindicação de direitos – profissionais e laborais. Por isso, faz todo o sentido existir o Conselho Deontológico no Sindicato. Por isso, deve ser valorizado. É por isso que me candidato na lista A – Unidade e Participação.

Depoimento de Carlos Camponez




A participação em órgãos de autorregulação mais do que um direito é um dever ético e deontológico dos jornalistas. Numa fase em que se colocam tantos desafios ao jornalismo contemporâneo, urge que os jornalistas estejam à frente das principais questões que se colocam à profissão. As questões deontológicas que se referem com a qualidade da informação, a credibilidade da profissão e o serviço da democracia, estão no centro desse debate.
Carlos Camponez é jornalista Freelancer (959) e professor de ética e deontologia do jornalismo na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra

Compromissos da lista A no Conselho Geral

Com o objectivo de dinamizar e a valorizar o Conselho Geral, os candidatos da lista “Unidade e Participação” comprometem-se a:
1. Assumir a plenitude das atribuições e competências previstas nos Estatutos, valorizando a sua função de representação plural da classe.
2. Tomar a iniciativa de discutir os grandes problemas da classe e do sector, propondo soluções e apoiando a sua concretização. 

3. Valorizar a função de representação da diversidade dos associados, como forma de garantir e estimular a participação dos sócios na vida do Sindicato, na tomada das decisões mais importantes para o Sindicato e para a Classe.
4. Contribuir para a dinamização da Assembleia Geral, o órgão máximo do Sindicato.
5. Prestar regularmente contas aos associados da actividade desenvolvida.

Dinamizar o Conselho Geral

O Conselho Geral é o órgão consultivo do Sindicato de participação plural dos associados através dos eleitos por eles escolhidos. Por isso é eleito pelo método de Hondt.
Dada a sua natureza, deve ter um papel muito importante na vida do Sindicato, não apenas para se pronunciar sobre as matérias submetidas a consulta pela Direcção, mas também por sua iniciativa, especialmente em relação a questões da maior relevância para o Sindicato e para a classe.

Apesar das amplas possibilidades de intervenção na vida do SJ, sendo ouvido ou fazendo-se ouvir, o Conselho Geral continua a revelar uma baixa actividade, ou pelo menos em níveis bem inferiores às potencialidades que encerra.
Matérias como a contratação colectiva, a exploração de estudantes nas redacções, as lutas nas empresas, com destaque para as ofensivas mais ou menos cíclicas para o despedimento de jornalistas, exigem o acompanhamento e a participação do Conselho Geral, mas têm estado arredadas.
Problemas como as alterações tecnológicas e organizativas, com consequências preocupantes nos conteúdos funcionais e nas competências dos jornalistas, assim como as perigosas derivas de tabloidização da informação e de contaminação do jornalismo por interesses comerciais aconselham estudo e reflexão que um órgão com as características do CG poderia e deveria desenvolver.

Os eleitos pela lista A