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segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Depoimento Carlos Veiga Pereira


Integro a Lista A - Unidade e Participação, como candidato ao Conselho Geral, no convencimento de que a nossa candidatura e a nossa futura ação no Conselho Geral contribuirão para reanimar o pluralismo no Sindicato dos Jornalistas, para revigorar a unidade da classe, para defender a Liberdade de Imprensa, para robustecer a democracia.
Urge libertar o Conselho Geral da moleza em que tem vivido nos últimos anos, a fim de promover o cumprimento da sua vocação. A presença de duas listas com diferentes programas e diferentes projetos, somada à participação plural e estruturada assegurada pela eleição pelo método de Hondt, conduzirão certamente à substituição das noites de ociosa cavaqueira dos anteriores Conselhos Gerais por reuniões de trabalho organizado, por análises fundamentadas, por propostas alicerçadas na realidade vivida nas redações e não em meras conjecturas subjetivas.
As linhas mestras do programa proposto pela Lista A - Unidade e Participação são a garantia de um trabalho proveitoso ao serviço dos jornalistas. Bastará referir o compromisso de assumir plenamente as atribuições e competências previstas nos Estatutos, pronunciando-se nomeadamente sobre matérias escrutinadas por sua própria iniciativa, como a contratação coletiva, a exploração dos estagiários, as alterações tecnológicas, a tabloidização da informação, as ameaças políticas e económicas à independência da informação.
Aceitei o convite para me candidatar por entender que os “mais velhos” têm o dever de colocar a sua experiência e os seus conhecimentos ao serviço do nosso Sindicato. No que toca ao saber de experiências feito, referirei apenas a representação dos jornalistas, por voto direto da classe, no Conselho de Imprensa, um dos raros baluartes da liberdade de imprensa no período posterior ao 25 de Abril, duas dezenas de anos de participação nos Conselhos de Redação da Agência ANOP e da Agência Lusa, a representação dos jornalistas, mais uma vez por eleição direta, na Alta Autoridade para a Comunicação Social, a participação no Conselho Geral desde a sua instituição.

Carlos Veiga Pereira é o sócio n.º 20 do Sindicato dos Jornalistas e o titular da Carteira Profissional n.º 1

Declaração de apoio de Ana Margarida de Carvalho


Porque o jornalismo em Portugal morreu e ainda ninguém lhe comunicou o óbito.

Porque o corpo está entregue a unidades de neurocríticos, atarantados, menos preocupados em reanimar o ofício do que a impressionar o administrador, e ora ligam o ventilador ou a máquina de fazer pim!
Porque o pacto da verdade com o leitor está a ser quebrado pela perversa lógica do clickbait. Porque há muitos leitores incautos que caem na fraude e na armadilha. Porque não é admissível que se condicione a remuneração do jornalista ao número de clicks que atinge uma publicação digital.
Porque um jornalista não é um «produtor de conteúdos» nem um «organizador de eventos», muito menos tem de se ocupar do marketing e da «viralização» da notícia.
Porque os mais influentes jornais americanos e europeus vivem no mesmo e incestuoso mundo da simplificação, do totalitarismo do gosto, debitam os mesmos clichés, copiam-se uns aos outros, reproduzem os mesmo comentários, as rubricas têm o mesmo nome, repetem as mesmas fórmulas, hierarquizam os mesmo assuntos e a consanguinidade nunca fez bem a ninguém.   
Porque jornalismo sem jornalistas não existe.
Porque democracia sem jornalismo também não existe.
Porque se registam, apesar de tudo, alguns sinais vitais.
Porque há outras coisas que se devem salvar, para além de bancos.
Vota Lista A

Ana Margarida de Carvalho, escritora e jornalista no desemprego

Declaração de apoio de João Ramos de Almeida




Vivemos tempos complicados na comunicação social e cada vez mais se sente que o seu papel constitucional está contaminado. As redacções encurtam-se, os jornalistas empobrecem, a informação está cada vez mais centralizada. E por tudo isto, e porque os problemas já vão surgindo em cada redacção, a unidade dos jornalistas é algo que se tornará imprescindível nos próximos tempos. Até agora não foi possível construir essa unidade, nem se debateu ainda essa urgência. Mas num momento como este, pode ser bastante útil que haja a maior diversidade de opiniões dentro do próprio Sindicato dos Jornalistas. E que essa unidade se faça, fazendo qualquer coisa. Por isso, voto lista A para o Conselho Geral e para o Conselho Deontológico.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Candidatos ao Conselho Geral em discurso directo


Declaração de apoio de Sérgio Ramos



O jornalismo está nas ruas da amargura. E a culpa e nossa. Só nossa.  Falta-nos coragem para sermos jornalistas. Para sermos repórteres. Porque o melhor do jornalismo é ser repórter. Digo eu.
Sinto que cada vez mais estou desfasado destes princípios. Mas eu acredito. E vou continuar a acreditar. E  por isso, por acreditar que pode haver futuro para o Jornalismo, apoio a lista A. Temos de acreditar que o Jornalismo vai voltar a servir a sociedade
Vota Lista A!

Sérgio Ramos
Repórter de Imagem na RTP

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Ex-secretária-geral da FIJ apoia a lista A


Eu não conheço todos os integrantes da lista A. Mas, conheço alguns: Martins Morim, Alfredo Maia, Anabela Fino, entre outros. E isso já me faz dar meu integral apoio aos nomes e programa do grupo. São jornalistas e companheiros que dedicaram a vida ao trabalho sindical. Coletivo. Num tempo em que somos empurrados para o individualismo. Companheiros preocupados com as condições de trabalho e salário dos jornalista. Mas, também, e principalmente, com o futuro do jornalismo e da qualidade do que é produzido e entregue à sociedade. No Brasil, vivemos uma crise do jornalismo. Então, espero que, eleitos, continuem nos inspirando no nosso exercício profissional e na busca do que todos desejamos. Um jornalismo que promova os aspectos humanos, humanizantes e emancipatórios da comunicação."

Beth Costa
Jornalista
Ex-secretária-geral da Federação Internacional de Jornalistas (FIJ)

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Depoimento de Carlos Lopes Pereira



Um combate democrático

A maioria dos jornalistas portugueses enfrenta hoje problemas muito complexos.
Esses desafios são conhecidos: da insegurança laboral ao clima de intimidação, passando pelos mecanismos de controlo da produção de informação, pela imposição de agendas e critérios que mercantilizam a informação, pelas limitações ao pluralismo político e ideológico. Tudo isso empobrece o jornalismo e condiciona a liberdade de informação.
O jornalista Fernando Correia, que estudou esta problemática, considera que agrava-se cada vez mais a contradição, inerente ao capitalismo, «entre o crescente poder social dos media e a sua apropriação privada para fins lucrativos, especulativos, de conquista de poder ou de influência no poder».
Tais constrangimentos e pressões sobre os jornalistas são ainda maiores nos media regionais e locais do interior do País. Aqui, avança a desertificação, as empresas são frágeis, o mercado publicitário é pequeno, jornais e rádios sobrevivem com enormes sacrifícios, aprofundam-se dependências.
A eleição para os diferentes órgãos do Sindicato dos Jornalistas é o momento indicado para renovar o debate sobre estas e outras questões e preparar a continuação da luta para além da votação. 
O lema da candidatura da Lista A ao Conselho Deontológico e ao Conselho Geral, «Unidade e Participação», é um óptima bandeira. Com o apoio de um SJ plural e interventivo, cabe a toda a classe, unida em torno do essencial, participar desse combate democrático em defesa dos jornalistas e do jornalismo. 

(Carlos Lopes Pereira é jornalista no “Diário do Alentejo”) 

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Depoimento de Nuno Miguel Maia


Completei, já, 20 anos no jornalismo. Quando comecei, estava longe de imaginar a atual curva descendente de vários aspetos na profissão: crise de modelo de negócio, de condições laborais, de valores deontológicos. Um pouco por tudo isto, hoje as notícias confundem-se com “conteúdos”. O que torna imperativo que se estabeleçam bem as fronteiras entre o que deve ser considerado jornalismo e o que está fora dele, das suas regras.
Somos cada vez menos. Mas tenho para mim que, ao invés de nos dividir, tal realidade deve unir-nos e levar-nos a participar e dar o nosso contributo, por modesto que seja, no âmbito da única organização profissional suscetível de representar e congregar os jornalistas e os seus interesses.
Nesta medida, creio ser do interesse de todos voltar a ter nas lides sindicais, designadamente no Conselho Deontológico (e poderia ser em qualquer outro órgão), quem efetivamente está preparado, tem vocação e autoridade profissional para tal. Alfredo Maia é o mais capaz para encabeçar tal tarefa e responsabilidade de marcar o reduto da deontologia – aquilo que ainda distingue o (cada vez mais importante e necessário) jornalismo de qualquer outro “conteúdo” confundível.

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Depoimento de Susana Oliveira


O jornalismo está hoje à prova como nunca antes. A internet e o digital encurtaram todos os prazos. É tudo mais rápido. É tudo infinitamente mais complexo.
Os ‘media’ aprenderam da pior maneira como esta revolução na informação se tornou numa faca de dois gumes.
A Internet, as redes sociais e a facilidade e rapidez de divulgação das chamadas ‘fake news’ tornaram mais premente a necessidade de alguém que, como o jornalista, garanta a veracidade da informação. Que cruze fontes. Que seja exigente com a ética e a deontologia.
Tornaram por isso mais notória a necessidade do jornalismo.
O acesso cada vez mais fácil à informação trouxe também novos dilemas éticos aos jornalistas. Para manter ou roubar audiências, as linhas vermelhas são muitas vezes pisadas. E muitas vezes por aqueles que, tendo em conta a sua precariedade laboral, não conseguem resistir à pressão. Há contas a pagar no final do mês. Não que isto desculpe, ou torne menos importante a obrigação maior do jornalista: ser rigoroso, imparcial, cumprir o código deontológico e pugnar para que dele não se desviem os seus pares. Isto só se consegue com um jornalismo verdadeiramente livre.
A internet, logo ali à mão, é cada vez mais uma valiosa ferramenta de pesquisa. E os gigantes tecnológicos que ‘dominam’ o espaço de informação pública não dão prioridade à informação como um bem público, como o jornalismo profissional faz. Com os seus complexos algoritmos, conduzem o negócio com um objetivo simples: encorajar a informação viral que agarre cliques suficientes para atrair publicidade. Não importa se a informação é verdadeira, o que conta é se é provocadora, sensacionalista o suficiente para atrair a atenção do próximo clique. Sempre houve ‘fake news’, mas a sua disseminação não era tão fácil como agora. E as ‘fake news’ só se combatem com factos, fontes e rigor.

É por um jornalismo livre, digno, verdadeiro, respeitável e respeitador que me candidato por esta lista. A Lista A, claro.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Depoimento de Ribeiro Cardoso


O Sindicato dos Jornalistas é a verdadeira casa dos jornalistas – mesmo daqueles que, por razões várias, não estão lá inscritos. Por isso, embora não só por isso, agrada-me ver duas listas a concorrer ao próximo acto eleitoral. É, de algum modo, um sinal de uma certa vitalidade, que, não o escondo, desejava fosse maior.
Dito isto, gosto do nome e do lema da lista A, que integro de corpo inteiro apesar de reformado há vários anos: Unidade e Participação. Esse é o caminho: na sociedade em que vivemos ser jornalista não é, ou não deveria ser, coisa pouca. E sem que ninguém deixe de lutar pelos seus ideais, todos deveríamos estar unidos, participando, na luta pelos direitos essenciais/indispensáveis da nossa classe profissional: liberdade de informar e condições dignas de trabalho. É uma dupla que não pode aceitar o divórcio. Como também não pode viver sem tutelar, de um modo sério e activo, a deontologia da nossa profissão. Jornalistas a sério não se deixarão pôr na ordem…
E já agora deixem-me que sublinhe um facto, que por ele também concorro: é preciso que a equipa que vença estas nossas eleições lute bravamente para que mais jornalistas se sindicalizem. As escolas de jornalismo não ensinam isso…

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Depoimento de Salomé Pinto


Sou jornalista há mais de dez anos, passei pela imprensa escrita, rádio, televisão e multimédia em vários órgãos de comunicação social, tanto locais/regionais como nacionais. E, neste momento, vou abraçar todas estas plataformas no "Jornal de Negócios" - Grupo Cofina.
Sem pretensiosismos, posso admitir que conheço realidades muito díspares mas todas elas tocam num ponto fulcral: os jornalistas precisam de um sindicato forte e plural que defenda os direitos de todos, com experiência ou no início da profissão, com carteira ou a estagiar, efetivos ou precários.
Só assim poderemos fazer mais e melhor jornalismo, com isenção, profundidade, criatividade e sem amarras de qualquer natureza (interna ou externa).
Por isso, decidi candidatar-me pela Lista A, aquela que para mim melhor representa o futuro do jornalismo e dos jornalistas.

Depoimento de Ilídia Pinto


Com mais de 25 anos de jornais e quase tantos de sindicalismo activo, confesso que, por vezes, me sinto cansada e tentada a abandonar esta tarefa inglória para as gerações mais novas.
Mas não consigo deixar de acreditar que, se queremos um mundo melhor, temos de o ajudar a construir. 

E a construção de um mundo melhor passa pela defesa da verdade, pela pluralidade de opiniões, pela isenção e pelo rigor, e pela procura diária de informação que ajude a reedificar uma sociedade mais justa, equilibrada e harmoniosa. 
E para tudo isso precisamos de um Sindicato dos Jornalistas forte, com a ajuda e a participação de todos. 
Vota!

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Depoimento de Mário Galego


Nunca, como hoje, vi a situação laboral dos jornalistas portugueses tão grave. Basta pensar nos mais de 33% de profissionais que têm uma situação precária. Sendo que cumprem, na grande maioria dos casos, o mesmo trabalho que os profissionais do quadro da mesma empresa. Cumprem, mas sem direitos. 
As relações laborais têm atingido uma tal perversidade que é imperioso combater. É necessário que haja, em cada redacção, estruturas de trabalhadores que lutem e pugnem pelas garantias de trabalho justo e livre. 
Assiste-se hoje, ao definhar dos conselhos de redacção, dos delegados sindicais nas redacções, gente que de uma forma ou ​de ​outra valoriza os direitos ao trabalho. 
Ajudei a formar conselhos de redacção, fui delegado do Sindicato na redacção onde ainda hoje trabalho e dirigente em vários mandatos. 
Por me rever, no que ao longo dos anos fui aprendendo e partilhando com todos os candidatos da Lista A às eleições para o Sindicatos dos Jornalistas, sou um dos que quer trazer ao Conselho Geral mais discussão sobre o jornalismo e os jornalistas. 
Eu alinho com a Lista A.

Depoimento de Luís Miguel Loureiro


Sempre considerei perigosa toda e qualquer forma de banalização. Num mundo em que a imagem domina na sua imediatez (isto é, em tudo o que comporta de dispensa da mediação) estamos cada vez mais transformados em consumidores passivos das múltiplas formas de banalização: da violência, das relações, da ética. 
Aceitei o desafio de integrar a lista A, por isso mesmo, e na exacta forma sob a qual ela se apresenta. Não considero que o projecto da actual direcção do sindicato deva ser interrompido extemporaneamente mas considero fundamental que exista um reforço das instâncias críticas internas, em especial do Conselho Deontológico (onde andou, nestes anos de banalização, a intervenção de autorregulação dos jornalistas portugueses?) e do Conselho Geral. 
Daí que me pareça importante que nos atiremos a este exercício de democracia que é também o exercício mais nobre do jornalismo: dizermos presente para questionar em permanência.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Depoimento de Maria José Garrido


Em 2012, os jornalistas denunciaram aquilo que foi considerado um escândalo nacional. Enfermeiros iam ser contratados a quatro euros à hora para o Serviço Nacional de Saúde.
Ninguém relatou, contudo, que entre os jornalistas que faziam essa notícia também havia quem ganhasse quatro euros à hora ou pouco mais do que isso.
A realidade das condições em que trabalham muitos jornalistas é esquecida, escondida até por muitos dos próprios jornalistas. E é preciso também denunciá-la através de um sindicalismo forte, de um Sindicato forte.
Entre os jornalistas são poucos os que acreditam no sindicalismo, influenciados por um discurso unânime contra os sindicatos que tem dominado o debate mas também pelo medo que impera, cada vez mais, nas redacções onde a ditadura das audiências e dos cliques tem afastado o jornalismo de uma informação cuidada, tratada e rigorosa.
O jornalismo tornou-se num imediatismo noticioso, a um ritmo frenético em que o jornalista é chamado a fazer tudo e mais alguma coisa ao mesmo tempo, em que o jornalista frequentemente é obrigado a trabalhar todos e os mais variados temas, em que o jornalista acaba muitas vezes a cobrir acontecimentos que pouco ou nada contribuem para o direito de informar mas são mais publi-reportagens ou entretenimento ao serviço de poderes escondidos.
O direito dos jornalistas de dizerem NÃO está consagrado em lei, mas em redacções enfraquecidas e muitas vezes desorientadas raramente se verifica.
Um Conselho Deontológico forte e um Conselho Geral mais participativo poderá fazer face às degradadas condições em que os jornalistas trabalham actualmente.

É preciso dizer Não ao estado a que chegámos e só com Unidade e Participação o podemos fazer. É hora!

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Depoimento de Fernando Valdez



Aceitei candidatar-me ao Conselho Geral (CG) por considerar que este órgão nacional do Sindicato dos Jornalistas não tem tido o dinamismo necessário desde há alguns anos e por pensar que o CG pode dar um contributo importante para a vida do Sindicato e dos jornalistas portugueses.
Segundo os Estatutos do Sindicato, o Conselho não só deve ser ouvido pela Direcção do SJ e dar parecer sobre as questões de maior relevância para o Sindicato e para os jornalistas, como pode ter a iniciativa de apresentar propostas e sugestões aos restantes órgãos sociais.
O Conselho Geral pode convidar antigos dirigentes sindicais que possam dar um contributo para os temas em debate a participarem nos seus trabalhos, sem direito a voto, o que constitui uma forma de enriquecimento do debate sobre questões centrais da vida sindical.
Num momento em que se multiplicam os despedimentos de profissionais, em que os contratos precários são o dia-a-dia dos jovens jornalistas e de alguns não tão jovens, em que as empresas abusam de falsos estágios curriculares para ilegalmente disporem de mão-de-obra gratuita em vez de contratarem os profissionais necessários, há um largo espaço para a necessária reflexão do Conselho Geral, para as suas propostas e contributos para o Sindicato e a melhoria das condições de trabalho dos jornalistas.
A maioria das empresas desrespeita claramente o disposto na contratação colectiva, os salários e outras condições de trabalho degradam-se, os horários têm hora de início mas raramente de fim, muitas empresas não pagam trabalho extraordinário, mesmo em dia feriado ou de folga.

Por isso, considerei minha obrigação não virar a cara a este desafio e dizer presente.

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Depoimento de Anabela Fino


Em meados de Janeiro fui surpreendida por uma notícia muito curiosa: pela primeira vez, em 136 anos da história do jornal, os jornalistas de “Los Angeles Times” votaram para se sindicalizarem no NewsGuild-Communications Workers of America. Motivo? A degradação das condições laborais e o despedimento de trabalhadores. Soa familiar, não soa?
Pois é justamente porque entendo, como sempre entendi, que não devemos esperar pela degradação (ainda maior) das condições de trabalho para reagir, com Unidade e Participação, em defesa do direito ao trabalho e do trabalho com direitos, dos jornalistas e do jornalismo, que me candidato a membro do Conselho Geral pela Lista A.
Aos que todos os dias nos pretendem fazer crer que os sindicatos estão em vias de extinção e que não nos resta outra alternativa a não ser tentar (sobre)viver na lei da selva, respondo com o exemplo do LA Times e com a profunda convicção de que só não ganha quem desiste de lutar.
E esta luta, que a todos nos convoca, não se compadece com operações mediáticas, com o faz de conta de que quem explora e quem é explorado estão do mesmo lado da barricada, com o fatalismo de «não há nada a fazer» que tão bem serve quem vê os trabalhadores – que é o que os jornalistas são – como descartáveis, ou com as práticas dos que fingem ignorar que o «“descompromisso” é o “compromisso” de quem serve a outros amos, que não àqueles para os quais o jornalismo existe», como bem escreveu um camarada jornalista já desaparecido.

A lista A propõe-se ir à luta com Unidade e Participação. Eu alinho.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Depoimento de José David Lopes


Não estou no activo há uns bons anos, desde que deixei o DN, a minha “casa” de sempre, mas mantive pelo jornalismo e pelo labor de levar aos leitores a mais correcta e fiável informação a mesma paixão de sempre. Muito mudou desde que iniciei a profissão. Não havia um Código Deontológico formal – o primeiro avanço nesse sentido surgiu no CCT de 1973, que criou as Comissões de Redacção e estabeleceu ser vedado aos jornalistas qualquer actividade relacionada com Publicidade –, mas havia regras não escritas que muitos de nós cumpríamos e tentávamos que se cumprissem: o rigor, o respeito pela verdade, o contraditório, entre outras normas que, em 1976, fariam parte do primeiro Código Deontológico dos Jornalistas, aprovado em assembleia geral do SJ.
Aplicam-se todas essas normas hoje em dia? Convenhamos que não. E não por culpa da maioria da classe. Vivemos numa realidade muito diferente. Ao lado do sensacionalismo e das várias “agendas” que passaram a dominar muita informação, assiste-se a uma cada vez maior permeabilidade entre a “notícia” veiculada pelas redes sociais e o seu imediatismo e o trabalho jornalístico nos OCS. E nunca a pressão sobre os jornalistas foi tão grande, favorecida pelo esvaziamento das Redacções de tantos profissionais com mais experiência, apanhados em sucessivas ondas de despedimentos, e acompanhada pela precariedade da profissão.

Cumprir e fazer cumprir o Código Deontológico torna-se, assim, tarefa primordial, mais por via da pedagogia que pela “acusação”, em que o jornalista, sobretudo aquele com menos experiência, se torne bode expiatório do que lhe é imposto. É uma tarefa de todos. E uma reflexão de todos.
Fui jornalista no DN durante 34 anos. Além do gosto pela reportagem, que sempre me acompanhou, fui editor de várias secções, desde a antiga Informação Geral e Agenda e Planeamento à Ciência, passando pelo lançamento da primeira edição “online” do jornal.
Fiz parte da primeira Comissão de Redacção do jornal e, posteriormente, de vários Conselhos de Redacção e de duas listas na Direcção do SJ, a primeira das quais eleita antes do 25 de Abril. Além disso, e ao longo dos anos, fui delegado sindical na Redacção em diversas ocasiões.

Depoimento de Fernando Correia


(em jeito de apoio e estímulo à lista A, e de apelo a que votem nela)
1. A situação laboral e profissional dos jornalistas tem vindo a agravar-se cada vez mais. Alguns números: 69% ganham entre 501 e 1500 euros líquidos mensais. 33,4% não têm contrato fixo (precários). 65% dos contratos são até 40 horas semanais, mas a maioria trabalha mais tempo. 3,9% são remunerados pelas horas extraordinárias,10,2% são compensados em tempo de descanso pelo trabalho extra, 63,4% não tem qualquer compensação. 25,8%  prestam serviço para mais de um órgão dentro do mesmo grupo empresarial, sendo que 66,8% não recebe remuneração extra por esse trabalho. 63,6% estão insatisfeitos com os salários, mas 2% estão extremamente satisfeitos. 36,6 % referem o medo de perder o emprego. 77,9%  dizem-se insatisfeitos com a profissão, 11% satisfeitos, mas 1,9% extremamente satisfeitos. 64,2% dos jornalistas já pensaram pelo menos uma vez abandonar a profissão. Um último dado: 25,2% diz ter participação sindical, enquanto 56,5% nunca foi sindicalizado.
(Elementos parcelares de um inquérito realizado no quadro de uma investigação promovida por uma equipa do CIES-IUL (ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa). A amostra foi de quase 1500 jornalistas (validados). Em 9 de janeiro de 2017 existiam 6114 jornalistas com carteira profissional ou equiparados). 
  2. O jornalismo e os jornalistas portugueses atravessa uma fase de profundas transformações, nomeadamente de natureza tecnológica, mas também no seu enquadramento e constrangimentos empresariais e laborais.  com tudo isso o que implica. É necessário: impedir que a pretexto da mudança se percam regras e princípios éticos e profissionais indissociáveis do jornalismo rigoroso e livre, assim como da responsabilidade social do jornalista (desde logo no sector publico, mas também no privado); combater a perversidade profissional que resulta da interiorização como valores jornalísticos  daquilo que são apenas valores comerciais, como a concepção do “bom jornalismo” como  aquele que “vende bem”; reafirmar valores como a solidariedade e a camaradagem, com a ideia clara de que a unidade na acção é imprescindível; reforçar a disponibilidade para a participação em estruturas como os conselhos de redacção, os delegados sindicais, as comissões de trabalhadores, sendo certo que sem organização e sem as organizações, a começar pelo sindicato, nada se consegue; valorizar a ligação às pessoas, apelar e promover a sua intervenção e participação, considerando que os problemas da informação, indissociáves da formação, dizem respeito a toda a sociedade; sublinhar que a fragilização do jornalismo e dos jornalistas significa, inapelavelmente, uma muito grave e perigosa fragilização da democracia.
            3. No exercício do jornalismo, a perspectiva humanista e a consciência cívica nascem e alimentam-se do confronto com as realidades da vida, um confronto naturalmente imposto pela própria natureza da profissão. Daqui resulta, ou deveria resultar, um perfil pessoal, mas também de grupo, estruturado em duas dimensões: a  profissional e a cívica. O jornalista só o é por inteiro se for um cidadão/jornalista, ou se preferirem, um jornalista/cidadão. Assim contribuindo para criar as condições que irão permitindo a transformação no jornalismo e na informação, e simultaneamente também em tudo o que os envolve e condiciona.

Os eleitos pela lista A