segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Parar para reflectir


Camaradas,
Terminámos hoje a nossa campanha eleitoral para dois órgãos importantíssimos do Sindicato dos Jornalistas – o Conselho Deontológico e o Conselho Geral.
Antes de mais, queremos agradecer a todos os camaradas que nos receberam nas suas redacções. Foi muito bom estar convosco, estar entre nós, ouvir-vos e obter os vossos contributos.
Somos uma lista de homens e mulheres livres, cidadãos no pleno uso dos direitos, liberdades e garantias que não renunciam à cidadania. Temos um passado como sindicalistas do qual não só nos orgulhamos - e honramos pela confiança que vos merecemos – mas também colocamos de novo ao serviço da classe.
Amanhã será dia de reflexão. Daí que terminemos por aqui os nossos escritos neste blogue e na nossa página do Facebook.
Depois de amanhã, é dia de votação. Como democratas que somos, estamos na votação como Lista A. Pela Unidade e Participação da classe. Pelo Jornalismo e pelos Jornalistas.

Depoimento Carlos Veiga Pereira


Integro a Lista A - Unidade e Participação, como candidato ao Conselho Geral, no convencimento de que a nossa candidatura e a nossa futura ação no Conselho Geral contribuirão para reanimar o pluralismo no Sindicato dos Jornalistas, para revigorar a unidade da classe, para defender a Liberdade de Imprensa, para robustecer a democracia.
Urge libertar o Conselho Geral da moleza em que tem vivido nos últimos anos, a fim de promover o cumprimento da sua vocação. A presença de duas listas com diferentes programas e diferentes projetos, somada à participação plural e estruturada assegurada pela eleição pelo método de Hondt, conduzirão certamente à substituição das noites de ociosa cavaqueira dos anteriores Conselhos Gerais por reuniões de trabalho organizado, por análises fundamentadas, por propostas alicerçadas na realidade vivida nas redações e não em meras conjecturas subjetivas.
As linhas mestras do programa proposto pela Lista A - Unidade e Participação são a garantia de um trabalho proveitoso ao serviço dos jornalistas. Bastará referir o compromisso de assumir plenamente as atribuições e competências previstas nos Estatutos, pronunciando-se nomeadamente sobre matérias escrutinadas por sua própria iniciativa, como a contratação coletiva, a exploração dos estagiários, as alterações tecnológicas, a tabloidização da informação, as ameaças políticas e económicas à independência da informação.
Aceitei o convite para me candidatar por entender que os “mais velhos” têm o dever de colocar a sua experiência e os seus conhecimentos ao serviço do nosso Sindicato. No que toca ao saber de experiências feito, referirei apenas a representação dos jornalistas, por voto direto da classe, no Conselho de Imprensa, um dos raros baluartes da liberdade de imprensa no período posterior ao 25 de Abril, duas dezenas de anos de participação nos Conselhos de Redação da Agência ANOP e da Agência Lusa, a representação dos jornalistas, mais uma vez por eleição direta, na Alta Autoridade para a Comunicação Social, a participação no Conselho Geral desde a sua instituição.

Carlos Veiga Pereira é o sócio n.º 20 do Sindicato dos Jornalistas e o titular da Carteira Profissional n.º 1

Declaração de apoio de Ana Margarida de Carvalho


Porque o jornalismo em Portugal morreu e ainda ninguém lhe comunicou o óbito.

Porque o corpo está entregue a unidades de neurocríticos, atarantados, menos preocupados em reanimar o ofício do que a impressionar o administrador, e ora ligam o ventilador ou a máquina de fazer pim!
Porque o pacto da verdade com o leitor está a ser quebrado pela perversa lógica do clickbait. Porque há muitos leitores incautos que caem na fraude e na armadilha. Porque não é admissível que se condicione a remuneração do jornalista ao número de clicks que atinge uma publicação digital.
Porque um jornalista não é um «produtor de conteúdos» nem um «organizador de eventos», muito menos tem de se ocupar do marketing e da «viralização» da notícia.
Porque os mais influentes jornais americanos e europeus vivem no mesmo e incestuoso mundo da simplificação, do totalitarismo do gosto, debitam os mesmos clichés, copiam-se uns aos outros, reproduzem os mesmo comentários, as rubricas têm o mesmo nome, repetem as mesmas fórmulas, hierarquizam os mesmo assuntos e a consanguinidade nunca fez bem a ninguém.   
Porque jornalismo sem jornalistas não existe.
Porque democracia sem jornalismo também não existe.
Porque se registam, apesar de tudo, alguns sinais vitais.
Porque há outras coisas que se devem salvar, para além de bancos.
Vota Lista A

Ana Margarida de Carvalho, escritora e jornalista no desemprego

Lista A – Unidade e Participação a valer


Camaradas,

É já depois de amanhã a votação presencial para os órgãos do Sindicato dos Jornalistas, acto maior na vida da nossa organização de classe. Por isso renovamos o apelo de sempre: participa, votando.
Ao longo desta campanha, a candidatura da lista A – Unidade e Participação procurou levar até junto dos associados, mas também da generalidade dos jornalistas e dos cidadãos, as linhas de acção do seu manifesto e também propostas concretas.
Através da apresentação das linhas programáticas inscritas em vários documentos colectivos, mas também de inúmeros depoimentos individuais, a lista A expôs as suas ideias e os seus compromissos para valorizar o Conselho Deontológico (CD).
Órgão essencial da auto-regulação dos jornalistas, o CD deve readquirir o protagonismo na discussão das práticas profissionais e estar no centro do debate sobre a ética do jornalismo e a deontologia dos jornalistas.
Estas eleições decorrem nos dias posteriores a mais um ataque à liberdade de imprensa, com as afirmações do presidente do Sporting Clube de Portugal, no sábado, a suscitarem justa indignação com o apelo ao boicote do público aos órgãos de informação e com as tentativas de agressão a camaradas em serviço nas instalações do clube.
Solidária com os repórteres alvo da hostilidade e condenando com firmeza aqueles acontecimentos, a lista A reafirma a importância de um dos deveres fundamentais do nosso Código Deontológico – o de lutar contra as tentativas de limitar a liberdade de expressão e o direito de informar. Também para este objectivo podem contar connosco!.      
A lista A – Unidade e Participação comprometeu-se também a dinamizar o Conselho Geral, o órgão que assegura a representação plural dos jornalistas, que garante a concretização da diversidade e leva ao seio dos órgãos do Sindicato a voz crítica e também o aconselhamento, reflectindo o pulsar da classe.
A precariedade e os despedimentos, a exploração do trabalho de estudantes, a falta de condições de trabalho, a fuga à justa retribuição do trabalho e especialmente do trabalho suplementar em dias feriados e a falta de informação sobre a negociação do Contrato Colectivo de Trabalho da Imprensa são algumas prioridades da intervenção dos eleitos da lista A.

Para o Conselho Deontológico e o Conselho Geral, vota lista A - Unidade e Participação    

Declaração de apoio de João Ramos de Almeida




Vivemos tempos complicados na comunicação social e cada vez mais se sente que o seu papel constitucional está contaminado. As redacções encurtam-se, os jornalistas empobrecem, a informação está cada vez mais centralizada. E por tudo isto, e porque os problemas já vão surgindo em cada redacção, a unidade dos jornalistas é algo que se tornará imprescindível nos próximos tempos. Até agora não foi possível construir essa unidade, nem se debateu ainda essa urgência. Mas num momento como este, pode ser bastante útil que haja a maior diversidade de opiniões dentro do próprio Sindicato dos Jornalistas. E que essa unidade se faça, fazendo qualquer coisa. Por isso, voto lista A para o Conselho Geral e para o Conselho Deontológico.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Candidatos ao Conselho Geral em discurso directo


Declaração de apoio de Sérgio Ramos



O jornalismo está nas ruas da amargura. E a culpa e nossa. Só nossa.  Falta-nos coragem para sermos jornalistas. Para sermos repórteres. Porque o melhor do jornalismo é ser repórter. Digo eu.
Sinto que cada vez mais estou desfasado destes princípios. Mas eu acredito. E vou continuar a acreditar. E  por isso, por acreditar que pode haver futuro para o Jornalismo, apoio a lista A. Temos de acreditar que o Jornalismo vai voltar a servir a sociedade
Vota Lista A!

Sérgio Ramos
Repórter de Imagem na RTP

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

A lista A em campanha


Em mais uma jornada de campanha nas redacções, candidatos da lista A - Unidade e Participação visitaram hoje a Rádio Renascença, o "Público" e "A Bola" em Lisboa. Foi distribuída também informação da lista em várias outras redacções, nomeadamente no "Jornal de Notícias", "Diário de Notícias", "Dinheiro Vivo" e "Expresso", no Porto.

Ex-secretária-geral da FIJ apoia a lista A


Eu não conheço todos os integrantes da lista A. Mas, conheço alguns: Martins Morim, Alfredo Maia, Anabela Fino, entre outros. E isso já me faz dar meu integral apoio aos nomes e programa do grupo. São jornalistas e companheiros que dedicaram a vida ao trabalho sindical. Coletivo. Num tempo em que somos empurrados para o individualismo. Companheiros preocupados com as condições de trabalho e salário dos jornalista. Mas, também, e principalmente, com o futuro do jornalismo e da qualidade do que é produzido e entregue à sociedade. No Brasil, vivemos uma crise do jornalismo. Então, espero que, eleitos, continuem nos inspirando no nosso exercício profissional e na busca do que todos desejamos. Um jornalismo que promova os aspectos humanos, humanizantes e emancipatórios da comunicação."

Beth Costa
Jornalista
Ex-secretária-geral da Federação Internacional de Jornalistas (FIJ)

Ao que vimos e quem somos

Síntese do manifesto da lista A - Unidade e Participação e apresentação sumária dos candidatos:

(PF "clicar" nas imagens para melhor leitura)


quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

A lista A em campanha


Os candidatos da Lista A - Unidade e Participação realizaram hoje mais uma jornada de campanha em várias redacções em Lisboa: Agência Lusa, RTP, RDP, "Jornal de Notícias", "Diário de Notícias", "O Jogo", TSF, "Dinheiro Vivo" e Global Imagens.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

A lista A em campanha




Os candidatos da Lista A - Unidade e Participação estiveram hoje em campanha, nas redacções da SIC, do "Expresso", ambas do grupo Impresa, da "Visão", do "Jornal de Letras" e de outras publicações do grupo Grupo PIN.
Amanhã vão estar nas redacções de Lisboa da Agência Lusa, da RTP, da RDP e e dos vários órgãos de informação detidos pela Global Media Group.

Depoimento de Carlos Lopes Pereira



Um combate democrático

A maioria dos jornalistas portugueses enfrenta hoje problemas muito complexos.
Esses desafios são conhecidos: da insegurança laboral ao clima de intimidação, passando pelos mecanismos de controlo da produção de informação, pela imposição de agendas e critérios que mercantilizam a informação, pelas limitações ao pluralismo político e ideológico. Tudo isso empobrece o jornalismo e condiciona a liberdade de informação.
O jornalista Fernando Correia, que estudou esta problemática, considera que agrava-se cada vez mais a contradição, inerente ao capitalismo, «entre o crescente poder social dos media e a sua apropriação privada para fins lucrativos, especulativos, de conquista de poder ou de influência no poder».
Tais constrangimentos e pressões sobre os jornalistas são ainda maiores nos media regionais e locais do interior do País. Aqui, avança a desertificação, as empresas são frágeis, o mercado publicitário é pequeno, jornais e rádios sobrevivem com enormes sacrifícios, aprofundam-se dependências.
A eleição para os diferentes órgãos do Sindicato dos Jornalistas é o momento indicado para renovar o debate sobre estas e outras questões e preparar a continuação da luta para além da votação. 
O lema da candidatura da Lista A ao Conselho Deontológico e ao Conselho Geral, «Unidade e Participação», é um óptima bandeira. Com o apoio de um SJ plural e interventivo, cabe a toda a classe, unida em torno do essencial, participar desse combate democrático em defesa dos jornalistas e do jornalismo. 

(Carlos Lopes Pereira é jornalista no “Diário do Alentejo”) 

Uma lista de mulheres e homens livres




Os candidatos da lista A – Unidade e Participação foram surpreendidos pelo teor de um texto de campanha da lista B, no qual se lê: “Somos uma equipa que não segue directórios ou comités, uma lista de gente que pensa pelas suas cabeças, cuja unidade coerente se baseia na múltipla diversidade daqueles que nela participam”.
Tal parágrafo comporta insinuações inaceitáveis em democracia e intoleráveis em profissionais que devem prezar a lealdade. Por isso não pode ficar sem resposta.   
A lista A – Unidade e Participação é uma lista constituída exclusivamente por mulheres e homens livres, todos com provas dadas no exercício da profissão e a maioria com larga experiência de vida sindical, sempre ao serviço dos jornalistas e da causa dos seus direitos, da liberdade de imprensa e de um Jornalismo eticamente responsável.
Os candidatos da lista A participam, de livre vontade e em plena autonomia, em mais esta campanha eleitoral. Não obedecem senão à sua consciência e à convicção de que transportam um projecto sindical que julgam melhor para o Sindicato dos Jornalistas.
Foram-se juntando ao longo de muitos anos e de sucessivas eleições para os órgãos do SJ, em função da identificação de problemas e necessidades, em sintonia com propostas, objectivos e modos de intervir, sem se perguntarem sobre rótulos de qualquer espécie e sem serem reféns de qualquer obediência.
Com opiniões e convicções diversas, mas convergindo no fundamental para a defesa da classe e do jornalismo, com experiências e mundividências distintas, os candidatos da lista A não pediram licença a ninguém nem recebem ou receberão ditames seja de quem for.
Não é novo. Sabem-no, por experiência, as largas dezenas de camaradas que participaram connosco em sucessivos processos eleitorais. E podem testemunhá-lo os que hoje estão noutra lista.
Os candidatos da lista A – Unidade e Participação estão séria e serenamente empenhados nesta campanha, como estiveram em todas antes, imbuídos de um profundo e genuíno espírito democrático.
Os candidatos da lista A – Unidade e Participação apresentam propostas e submetem-se ao juízo dos eleitores, sem ataques gratuitos a outras listas nem insinuações sobre a conduta de outros.
É a única forma – leal e sincera – que temos de estar no sindicalismo e ao serviço dos jornalistas, pela unidade da classe. E damo-nos muito bem com isso. Estamos certos de que os sócios do SJ e os jornalistas em geral também.

Deontologia: 8 – Deontologia, um património colectivo

  
A lista A – Unidade e Participação para o Conselho Deontológico conclui esta série de textos dedicado ao desenvolvimento dos oito compromissos com uma exortação à valorização do património colectivo do SJ, da classe e da sociedade.
A lista A compromete-se a assegurar “a disponibilização, no sítio do Sindicato dos Jornalistas em linha, de um corpus documental que valorize especialmente a doutrina produzida pelo CD ao longo de décadas, designadamente através da sistematização de comunicados, pareceres e recomendações versando questões e problemas relevantes, bem como o acesso a outros textos e documentos de apoio aos jornalistas e em particular aos conselhos de redacção”.
O “separador” do sítio do SJ (www.jornalistas.eu) dedicado ao Conselho Deontológico disponibiliza apenas as decisões e pareceres do CD no mandato iniciado em Janeiro de 2015 (a exemplo do que acontece com comunicados e pareceres da Direcção…). Como se nada tivesse acontecido antes dele, como se, antes do mandato que agora cessa, outros mandatos não tivessem produzido textos da maior importância e qualidade.
Além de nos propormos recuperar numa base única todos os textos produzidos ao longo da existência do CD, pretendemos assegurar uma colectânea de textos com outras origens (com a devida autorização dos autores), mas de utilidade para os jornalistas, bem como sugestões bibliográficas e ligações para publicações e sítios em linha.
A Deontologia dos jornalistas não é propriedade dos titulares transitórios no CD; é património da classe e deve ser colocada ao serviço da classe e da própria sociedade.

terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Deontologia: 7 – As exigências da informação em linha




O 7.º compromisso da lista A – Unidade e Participação para o Conselho Deontológico é muito directo quanto ao assunto e visa preencher uma preocupante lacuna muito evidente: “Promover um debate na classe dos jornalistas acerca das questões éticas e deontológicas envolvidas no tratamento da informação no jornalismo multimédia em linha”.
A voragem dos novos ritmos de trabalho e as consequências das mutações na própria noção de actualidade sugeridas pelas possibilidades tecnológicas da comunicação instantânea alteraram radicalmente as condições de produção dos media.
Com a palavra de ordem “É necessário gerar tráfego!”, frequentemente vemos sacrificados, no altar da rentabilização económica dos novos meios, não só conceitos básicos de Jornalismo, mas também princípios fundamentais da ética e da deontologia.
Quando o imediatismo sacrifica tantas vezes a verificação das informações e prescinde da obrigação de ouvir as partes com interesses atendíveis, mandando publicar a quente, mesmo que (remotamente…) tenhamos de desmentir a frio, algo vai mal no campo da consciência ética.
Quando uma qualquer “informação” circulando nas redes sociais atingindo pessoas é transformada em notícia só porque tem audiência garantida, por mais irrelevante que seja e por muito longe que esteja de estar comprovada, muito comprometemos deveres deontológicos essenciais.
Quando a tentação de ceder à difusão de imagens (de preferência chocantes), de proveniência não profissional e até de origem desconhecida, ou pelo menos de origem que seriamente não pode ser comprovada, prevalece sobre o escrúpulo pelo dever de lealdade, estamos perante um problema muito sério de deontologia.
Na lista A – Unidade e Participação, queremos discutir estes temas com abertura e sem complexos, mas com responsabilidade. É isso que exigem os jornalistas que se batem por um Jornalismo pautado por elevados padrões de exigência. E é isso que reclama o público que servimos.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Deontologia: 6 – Por um Jornalismo ético


Os candidatos da lista A – Unidade e Participação não renunciam ao velho e “sagrado” princípio de que a deontologia do jornalismo é tarefa da incumbência dos próprios jornalistas e das suas organizações de classe.
É por isso que se candidatam: para contribuir para tornar o Conselho Deontológico mais actuante e mais prestigiado, tanto junto dos sócios e da classe em geral, como do público e das instituições, projectando na sociedade a imagem real de uma profissão que se quer balizada por altos níveis de exigência ética.
Ao proporem a participação do CD “em parcerias sociais destinadas a promover o respeito
ético e deontológico da informação e dos media”, os candidatos da lista A não sugerem
alguma forma de renúncia dos jornalistas à sua auto-regulação.
Pelo contrário, as parcerias sociais não são formas de diluição dos valores do jornalismo, antes exigem dos jornalistas uma auto-regulação mais activa e uma consciência clara das suas responsabilidades sociais.
Um diálogo mais estreito com a Comissão da Carteira Profissional de Jornalista e com a Entidade Reguladora para a Comunicação Social, sempre no respeito pelas atribuições, competências e autonomia de cada um, é um campo que deve ser explorado.
A eventual recuperação da discussão com vista à criação de um Conselho de Imprensa com a participação paritária dos jornalistas e das empresas, tendo como objecto a promoção do Jornalismo ético e responsável, é outro campo para abrir sem preconceitos.

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Depoimento de Nuno Miguel Maia


Completei, já, 20 anos no jornalismo. Quando comecei, estava longe de imaginar a atual curva descendente de vários aspetos na profissão: crise de modelo de negócio, de condições laborais, de valores deontológicos. Um pouco por tudo isto, hoje as notícias confundem-se com “conteúdos”. O que torna imperativo que se estabeleçam bem as fronteiras entre o que deve ser considerado jornalismo e o que está fora dele, das suas regras.
Somos cada vez menos. Mas tenho para mim que, ao invés de nos dividir, tal realidade deve unir-nos e levar-nos a participar e dar o nosso contributo, por modesto que seja, no âmbito da única organização profissional suscetível de representar e congregar os jornalistas e os seus interesses.
Nesta medida, creio ser do interesse de todos voltar a ter nas lides sindicais, designadamente no Conselho Deontológico (e poderia ser em qualquer outro órgão), quem efetivamente está preparado, tem vocação e autoridade profissional para tal. Alfredo Maia é o mais capaz para encabeçar tal tarefa e responsabilidade de marcar o reduto da deontologia – aquilo que ainda distingue o (cada vez mais importante e necessário) jornalismo de qualquer outro “conteúdo” confundível.

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Depoimento de Susana Oliveira


O jornalismo está hoje à prova como nunca antes. A internet e o digital encurtaram todos os prazos. É tudo mais rápido. É tudo infinitamente mais complexo.
Os ‘media’ aprenderam da pior maneira como esta revolução na informação se tornou numa faca de dois gumes.
A Internet, as redes sociais e a facilidade e rapidez de divulgação das chamadas ‘fake news’ tornaram mais premente a necessidade de alguém que, como o jornalista, garanta a veracidade da informação. Que cruze fontes. Que seja exigente com a ética e a deontologia.
Tornaram por isso mais notória a necessidade do jornalismo.
O acesso cada vez mais fácil à informação trouxe também novos dilemas éticos aos jornalistas. Para manter ou roubar audiências, as linhas vermelhas são muitas vezes pisadas. E muitas vezes por aqueles que, tendo em conta a sua precariedade laboral, não conseguem resistir à pressão. Há contas a pagar no final do mês. Não que isto desculpe, ou torne menos importante a obrigação maior do jornalista: ser rigoroso, imparcial, cumprir o código deontológico e pugnar para que dele não se desviem os seus pares. Isto só se consegue com um jornalismo verdadeiramente livre.
A internet, logo ali à mão, é cada vez mais uma valiosa ferramenta de pesquisa. E os gigantes tecnológicos que ‘dominam’ o espaço de informação pública não dão prioridade à informação como um bem público, como o jornalismo profissional faz. Com os seus complexos algoritmos, conduzem o negócio com um objetivo simples: encorajar a informação viral que agarre cliques suficientes para atrair publicidade. Não importa se a informação é verdadeira, o que conta é se é provocadora, sensacionalista o suficiente para atrair a atenção do próximo clique. Sempre houve ‘fake news’, mas a sua disseminação não era tão fácil como agora. E as ‘fake news’ só se combatem com factos, fontes e rigor.

É por um jornalismo livre, digno, verdadeiro, respeitável e respeitador que me candidato por esta lista. A Lista A, claro.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Deontologia: 5 – O CD e a cidadania crítica




O compromisso de “apoiar e participar em iniciativas de literacia para os media destinadas a criar públicos exigentes e críticos relativamente à dimensão ética e deontológica da qualidade da informação” é assumido a sério pela lista A – Unidade e Participação.
O Conselho Deontológico não pode fechar-se ao escrutínio cívico do trabalho dos jornalistas e nem sequer à avaliação do desempenho da sua missão de velar pela deontologia profissional e de contribuir para a elevação dos padrões éticos do Jornalismo.
Por isso, o CD deve estar disponível para colaborar em iniciativas de educação para os media, nomeadamente nas escolas, mas também em colectividades, contribuindo para a formação de públicos mais exigentes.
O CD deve ainda incentivar e apoiar activamente a criação e o funcionamento de “clubes de leitura” e outras formas de participação, estimulando os cidadãos a desenvolverem actividades de discussão e crítica sobre os conteúdos dos media.

Explicação de uma candidatura

  
Ao apresentar as candidaturas ao Conselho Deontológico e ao Conselho Geral, no âmbito das eleições de 21 de Fevereiro para os próximos órgãos sociais do Sindicato dos Jornalistas, a Lista A – Unidade e Participação tornou claras as razões essenciais pelas quais se apresenta aos associados.

O CD na primeira linha
Em relação ao Conselho Deontológico, queremos contribuir para a valorização do órgão de auto-regulação mais importante que os jornalistas possuem, devolvendo-lhe o papel central que já teve e é urgente retomar.
O Conselho Deontológico não é “apenas” um órgão do SJ. É uma instituição reconhecida pelos jornalistas em geral, pela sociedade e até pelos tribunais. Deve voltar a estar na primeira linha da defesa do Jornalismo de qualidade e eticamente responsável.
Por isso, entre as tarefas de maior urgência e que exige a mobilização dos jornalistas, está a preservação do Conselho Deontológico. Queremos projectar na classe e no público a importância das suas competências e do seu papel histórico na credibilização do Sindicato dos Jornalistas e do Jornalismo.

Uma voz plural
No que diz respeito ao Conselho Geral, queremos contribuir para a sua dinamização como órgão de expressão plena do pluralismo e da diversidade da classe, como voz colectiva que debate e propõe.
Queremos que seja também o espaço dos que têm opiniões diferentes e que se inquietam, que interpelam. Que aconselham a Direcção e os demais órgãos, mas questionam omissões – por exemplo, sobre a negociação colectiva – e que dão mais força à unidade, quando se trata de defender os direitos dos jornalistas, os postos de trabalho e o trabalho com direitos.
Por isso a Lista A – Unidade e Participação mobilizou para este projecto um conjunto de camaradas com larga experiência sindical, desde os locais de trabalho ao exercício de funções na Direcção e no Conselho Geral.

Prestar contas 
Ao reagrupar, nestas eleições, muitos jornalistas que dedicaram boa parte das suas vidas à causa sindical e que têm participado em conjunto em sucessivas listas, a Lista A – Unidade e Participação representa um espaço de aprofundamento de um projecto sindical que continua válido e que encerra potencialidades que não se deve desperdiçar.
No actual quadro, não se verificaram todas as condições apropriadas que permitissem apresentar aos sócios uma proposta sindical global, traduzida na entrega de uma lista integral, isto é, com candidaturas a todos os órgãos do Sindicato, com capacidade para responder com qualidade em todas as frentes e a todos os desafios. Não apresentamos listas para preencher lugares por preencher, nem para cumprir calendário.
Os candidatos da Lista A – Unidade e Participação assumem um importante conjunto de compromissos e ideias que vão levar à prática nos órgãos para os quais serão eleitos – o Conselho Deontológico e o Conselho Geral – e dos quais prestarão contas aos sócios e aos jornalistas.

Para o Conselho Deontológico e o Conselho Geral, 

vota lista A - Unidade e Participação

Depoimento de Ribeiro Cardoso


O Sindicato dos Jornalistas é a verdadeira casa dos jornalistas – mesmo daqueles que, por razões várias, não estão lá inscritos. Por isso, embora não só por isso, agrada-me ver duas listas a concorrer ao próximo acto eleitoral. É, de algum modo, um sinal de uma certa vitalidade, que, não o escondo, desejava fosse maior.
Dito isto, gosto do nome e do lema da lista A, que integro de corpo inteiro apesar de reformado há vários anos: Unidade e Participação. Esse é o caminho: na sociedade em que vivemos ser jornalista não é, ou não deveria ser, coisa pouca. E sem que ninguém deixe de lutar pelos seus ideais, todos deveríamos estar unidos, participando, na luta pelos direitos essenciais/indispensáveis da nossa classe profissional: liberdade de informar e condições dignas de trabalho. É uma dupla que não pode aceitar o divórcio. Como também não pode viver sem tutelar, de um modo sério e activo, a deontologia da nossa profissão. Jornalistas a sério não se deixarão pôr na ordem…
E já agora deixem-me que sublinhe um facto, que por ele também concorro: é preciso que a equipa que vença estas nossas eleições lute bravamente para que mais jornalistas se sindicalizem. As escolas de jornalismo não ensinam isso…

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Deontologia: 4 – O CD e os futuros jornalistas


A lista A - Unidade e Participação propõe-se contribuir para “proporcionar, participar e estimular iniciativas de reflexão ponderada sobre a ética e a deontologia profissionais, de futuros profissionais, junto de centros, escolas e estabelecimentos de ensino superior”, conforme se compromete no seu Manifesto.
O CD não substitui as instituições de ensino superior, nem o Cenjor – Centro Protocolar de Formação Profissional para Jornalistas, mas deve estar à disposição das instituições que preparam futuros jornalistas para partilhar as suas experiências e reflexões, proporcionando aos estudantes a aproximação precoce e informada aos problemas do exercício do Jornalismo.
Além de colóquios e seminários em colaboração com as instituições de ensino e com o Cenjor, o CD deverá organizar acções de apoio aos estudantes, de preferência prévias ao período de estágio curricular.
A lista A – Unidade e Participação considera igualmente útil proporcionar aos jornalistas em períodos de estágio (início de carreira) módulos de formação na área da deontologia profissional.

Depoimento de Salomé Pinto


Sou jornalista há mais de dez anos, passei pela imprensa escrita, rádio, televisão e multimédia em vários órgãos de comunicação social, tanto locais/regionais como nacionais. E, neste momento, vou abraçar todas estas plataformas no "Jornal de Negócios" - Grupo Cofina.
Sem pretensiosismos, posso admitir que conheço realidades muito díspares mas todas elas tocam num ponto fulcral: os jornalistas precisam de um sindicato forte e plural que defenda os direitos de todos, com experiência ou no início da profissão, com carteira ou a estagiar, efetivos ou precários.
Só assim poderemos fazer mais e melhor jornalismo, com isenção, profundidade, criatividade e sem amarras de qualquer natureza (interna ou externa).
Por isso, decidi candidatar-me pela Lista A, aquela que para mim melhor representa o futuro do jornalismo e dos jornalistas.

Votai, votai!


Camaradas,

Falta menos de duas semanas para a votação presencial para os órgãos do Sindicato dos Jornalistas, estando ainda a decorrer a votação por correspondência.
Nesta oportunidade, o apelo da lista A - Unidade e Participação tem em vista contribuir para que todos participem, votando.
Tendo em conta os atrasos graves nos CTT, apelamos a quem vota por correspondência, especialmente por viver fora dos grandes centros ou não poder deslocar-se às mesas de voto no dia 21, para que vote com toda a urgência. No dia 21, é importante que todos os boletins contem.

Fazer escolhas
Apelamos também para que ninguém deixe de tomar uma decisão, de fazer uma escolha.
Nestas eleições, é possível  e é necessário eleger um Conselho Deontológico mais atento, dinâmico e interventivo, que não deixe passar em claro as violações ao Código Deontológico e, sobretudo, que promova mais espírito crítico e contribua para elevar os padrões éticos do Jornalismo.
A lista A - Unidade e Participação é a opção nesse sentido.
Nestas eleições, está ao alcance de todos  fazer com que o Conselho Geral - órgão de representação da pluralidade da classe - seja mais activo, que discuta os problemas dos jornalistas e faça valer as suas opiniões, que valorize a experiência e a renovação, que dê voz aos jornalistas e promova o debate.
A lista A - Unidade e Participação é a garantia de que todas e todos contam!

Para o Conselho Deontológico e para o Conselho Geral, vota lista 

A - Unidade e Participação

Depoimento de Ilídia Pinto


Com mais de 25 anos de jornais e quase tantos de sindicalismo activo, confesso que, por vezes, me sinto cansada e tentada a abandonar esta tarefa inglória para as gerações mais novas.
Mas não consigo deixar de acreditar que, se queremos um mundo melhor, temos de o ajudar a construir. 

E a construção de um mundo melhor passa pela defesa da verdade, pela pluralidade de opiniões, pela isenção e pelo rigor, e pela procura diária de informação que ajude a reedificar uma sociedade mais justa, equilibrada e harmoniosa. 
E para tudo isso precisamos de um Sindicato dos Jornalistas forte, com a ajuda e a participação de todos. 
Vota!

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Deontologia: 3 – O papel de charneira do Conselho Deontológico



“Promover a reflexão sobre práticas e riscos para a integridade deontológica e estimular a capacidade de atenção ética, designadamente através da realização de estudos, da elaboração de recomendações e da organização de colóquios e debates. O CD deve ter o papel de charneira na defesa e valorização da deontologia.”
Pretendemos levar bem a sério também este compromisso (o 3.º) do manifesto da lista A – Unidade e Participação. Os jornalistas podem contar, não com a intervenção casuística e achegas pontuais sobre problemas deontológicos, mas com um esforço dedicado e constante dos eleitos da lista A.
Há um campo imenso de trabalho pela frente – dos desafios éticos da mediatização da justiça ao que poderíamos chamar “demissão deontológica” dos jornalistas quando nos limitamos a replicar, demitindo-nos da nossa função mediadora, as mensagens de personagens da vida pública nas redes sociais, passando pelas noções de valor-notícia astuciosamente impostas pela lógica mercantil que comanda os media.
A realização de estudos e recomendações é uma das tarefas que nos impomos, desde já. Assim como consideramos possível a realização regular de debates, colóquios e outras iniciativas, estimulando a participação dos jornalistas, não só em Lisboa e Porto, mas também de forma descentralizada. 

Depoimento de Mário Galego


Nunca, como hoje, vi a situação laboral dos jornalistas portugueses tão grave. Basta pensar nos mais de 33% de profissionais que têm uma situação precária. Sendo que cumprem, na grande maioria dos casos, o mesmo trabalho que os profissionais do quadro da mesma empresa. Cumprem, mas sem direitos. 
As relações laborais têm atingido uma tal perversidade que é imperioso combater. É necessário que haja, em cada redacção, estruturas de trabalhadores que lutem e pugnem pelas garantias de trabalho justo e livre. 
Assiste-se hoje, ao definhar dos conselhos de redacção, dos delegados sindicais nas redacções, gente que de uma forma ou ​de ​outra valoriza os direitos ao trabalho. 
Ajudei a formar conselhos de redacção, fui delegado do Sindicato na redacção onde ainda hoje trabalho e dirigente em vários mandatos. 
Por me rever, no que ao longo dos anos fui aprendendo e partilhando com todos os candidatos da Lista A às eleições para o Sindicatos dos Jornalistas, sou um dos que quer trazer ao Conselho Geral mais discussão sobre o jornalismo e os jornalistas. 
Eu alinho com a Lista A.

Depoimento de Luís Miguel Loureiro


Sempre considerei perigosa toda e qualquer forma de banalização. Num mundo em que a imagem domina na sua imediatez (isto é, em tudo o que comporta de dispensa da mediação) estamos cada vez mais transformados em consumidores passivos das múltiplas formas de banalização: da violência, das relações, da ética. 
Aceitei o desafio de integrar a lista A, por isso mesmo, e na exacta forma sob a qual ela se apresenta. Não considero que o projecto da actual direcção do sindicato deva ser interrompido extemporaneamente mas considero fundamental que exista um reforço das instâncias críticas internas, em especial do Conselho Deontológico (onde andou, nestes anos de banalização, a intervenção de autorregulação dos jornalistas portugueses?) e do Conselho Geral. 
Daí que me pareça importante que nos atiremos a este exercício de democracia que é também o exercício mais nobre do jornalismo: dizermos presente para questionar em permanência.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Deontologia: 2 – Conselho Deontológico e conselhos de redacção


No seu manifesto, a lista A – Unidade e Participação compromete-se a “organizar jornadas de reflexão junto das redacções, em particular com os conselhos de redacção – os órgãos de deontologia profissional de primeira instância”.
A lista assume esse compromisso consciente de que “o CD não garantirá a representatividade da realidade se não projectar na sua acção a complexidade das experiências e das mundividências reais”.
Nem a deontologia profissional dos jornalistas é uma abstracção distante da realidade prática das redacções e das orientações editoriais de cada órgão de informação, nem os problemas concretos do exercício da profissão em contextos de trabalho distintos são indiferentes na análise e discussão séria das práticas jornalísticas.
Não é boa ideia tentar impor padrões de conduta. A deontologia é matéria de discussão constante, escutando, propondo, reflectindo, consensualizando. Por isso nos propomos trabalhar com os conselhos de redacção, não só através de jornadas nacionais, mas também de encontros com cada um dos conselhos.

Depoimento de Maria José Garrido


Em 2012, os jornalistas denunciaram aquilo que foi considerado um escândalo nacional. Enfermeiros iam ser contratados a quatro euros à hora para o Serviço Nacional de Saúde.
Ninguém relatou, contudo, que entre os jornalistas que faziam essa notícia também havia quem ganhasse quatro euros à hora ou pouco mais do que isso.
A realidade das condições em que trabalham muitos jornalistas é esquecida, escondida até por muitos dos próprios jornalistas. E é preciso também denunciá-la através de um sindicalismo forte, de um Sindicato forte.
Entre os jornalistas são poucos os que acreditam no sindicalismo, influenciados por um discurso unânime contra os sindicatos que tem dominado o debate mas também pelo medo que impera, cada vez mais, nas redacções onde a ditadura das audiências e dos cliques tem afastado o jornalismo de uma informação cuidada, tratada e rigorosa.
O jornalismo tornou-se num imediatismo noticioso, a um ritmo frenético em que o jornalista é chamado a fazer tudo e mais alguma coisa ao mesmo tempo, em que o jornalista frequentemente é obrigado a trabalhar todos e os mais variados temas, em que o jornalista acaba muitas vezes a cobrir acontecimentos que pouco ou nada contribuem para o direito de informar mas são mais publi-reportagens ou entretenimento ao serviço de poderes escondidos.
O direito dos jornalistas de dizerem NÃO está consagrado em lei, mas em redacções enfraquecidas e muitas vezes desorientadas raramente se verifica.
Um Conselho Deontológico forte e um Conselho Geral mais participativo poderá fazer face às degradadas condições em que os jornalistas trabalham actualmente.

É preciso dizer Não ao estado a que chegámos e só com Unidade e Participação o podemos fazer. É hora!

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Deontologia: 1 - Tomar a iniciativa


A escolha dos novos membros do Conselho Deontológico, no âmbito das eleições para os órgãos do Sindicato dos Jornalistas, ocorre num contexto particularmente complexo e exigente.
Ao assumir, como primeiro compromisso, “o dever de tomar iniciativa, não se limitando a aguardar queixas ou pedidos de parecer, quando detecte infracções ao Código Deontológico ou identifique situações de potencial risco”, a lista A – Unidade e Participação está consciente do enorme desafio que que se propõe enfrentar.
Num quadro geral de luta pelas audiências e de frequentes cedências à tentação de transpor fronteiras éticas, sobretudo quando muitos jornalistas lutam pela sua própria sobrevivência, assim como num novo “ambiente” comunicacional que convida a dar livre curso às pulsões do imediatismo, em detrimento da ponderação escrupulosa dos efeitos e das consequências de cada acto profissional, a deontologia profissional é por vezes sacrificada, como se fosse uma inevitabilidade.
É assim que atropelos e desatenções se vão sucedendo, perante a distracção geral e a indiferença. É o segredo de justiça que se viola de forma gratuita, os direitos de personalidade que se cilindra, a devassa da privacidade sem justificação atendível…
Os eleitos da lista A procurarão contribuir para que o Conselho Deontológico esteja mais atento às práticas profissionais quotidianas, ajude a prevenir violações ao Código Deontológico e apoie padrões elevados de exigência.

Depoimento de Fernando Valdez



Aceitei candidatar-me ao Conselho Geral (CG) por considerar que este órgão nacional do Sindicato dos Jornalistas não tem tido o dinamismo necessário desde há alguns anos e por pensar que o CG pode dar um contributo importante para a vida do Sindicato e dos jornalistas portugueses.
Segundo os Estatutos do Sindicato, o Conselho não só deve ser ouvido pela Direcção do SJ e dar parecer sobre as questões de maior relevância para o Sindicato e para os jornalistas, como pode ter a iniciativa de apresentar propostas e sugestões aos restantes órgãos sociais.
O Conselho Geral pode convidar antigos dirigentes sindicais que possam dar um contributo para os temas em debate a participarem nos seus trabalhos, sem direito a voto, o que constitui uma forma de enriquecimento do debate sobre questões centrais da vida sindical.
Num momento em que se multiplicam os despedimentos de profissionais, em que os contratos precários são o dia-a-dia dos jovens jornalistas e de alguns não tão jovens, em que as empresas abusam de falsos estágios curriculares para ilegalmente disporem de mão-de-obra gratuita em vez de contratarem os profissionais necessários, há um largo espaço para a necessária reflexão do Conselho Geral, para as suas propostas e contributos para o Sindicato e a melhoria das condições de trabalho dos jornalistas.
A maioria das empresas desrespeita claramente o disposto na contratação colectiva, os salários e outras condições de trabalho degradam-se, os horários têm hora de início mas raramente de fim, muitas empresas não pagam trabalho extraordinário, mesmo em dia feriado ou de folga.

Por isso, considerei minha obrigação não virar a cara a este desafio e dizer presente.

sábado, 3 de fevereiro de 2018

Depoimento de Anabela Fino


Em meados de Janeiro fui surpreendida por uma notícia muito curiosa: pela primeira vez, em 136 anos da história do jornal, os jornalistas de “Los Angeles Times” votaram para se sindicalizarem no NewsGuild-Communications Workers of America. Motivo? A degradação das condições laborais e o despedimento de trabalhadores. Soa familiar, não soa?
Pois é justamente porque entendo, como sempre entendi, que não devemos esperar pela degradação (ainda maior) das condições de trabalho para reagir, com Unidade e Participação, em defesa do direito ao trabalho e do trabalho com direitos, dos jornalistas e do jornalismo, que me candidato a membro do Conselho Geral pela Lista A.
Aos que todos os dias nos pretendem fazer crer que os sindicatos estão em vias de extinção e que não nos resta outra alternativa a não ser tentar (sobre)viver na lei da selva, respondo com o exemplo do LA Times e com a profunda convicção de que só não ganha quem desiste de lutar.
E esta luta, que a todos nos convoca, não se compadece com operações mediáticas, com o faz de conta de que quem explora e quem é explorado estão do mesmo lado da barricada, com o fatalismo de «não há nada a fazer» que tão bem serve quem vê os trabalhadores – que é o que os jornalistas são – como descartáveis, ou com as práticas dos que fingem ignorar que o «“descompromisso” é o “compromisso” de quem serve a outros amos, que não àqueles para os quais o jornalismo existe», como bem escreveu um camarada jornalista já desaparecido.

A lista A propõe-se ir à luta com Unidade e Participação. Eu alinho.

Os eleitos pela lista A